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Mostrando postagens de Maio, 2011

Bonde das piriguetes

Um casal espera o seu primeiro filho. Após a ultrassonografia, descobrem que terão uma menina. Alegria total. Começam os preparativos: pintam as paredes do quartinho de rosa, compram roupinhas rosas, acessórios infantis femininos, ursinhos de pelúcia, etc. Nasce a menina. Linda. A bonequinha do papai.

O pai e a mãe começam a sonhar com o futuro da menina. Será que vai ser advogada? Professora? Médica? Esperam que case com um bom partido e que juntos constituam uma família sólida. Mas nem tudo acontece da forma como os pais planejam. Tem gente que nasce com tendências para fazer coisas, digamos, pouco plausíveis. No caso das meninas, cuidado, sua filha pode se tornar uma piriguete!

Vamos definir piriguete. Trata-se de um termo recente criado pelo funk carioca que denomina meninas, principalmente as adolescentes entre 13 e 19 anos, que dão em cima de caras mais velhos, geralmente casados. A piriguete não é uma prostituta. Elas não negociam com dinheiro; negociam com o cabaço. A…

Eterno mesmo só enquanto dure

Esses dias assisti ao filme "Entrevista com o vampiro", de 1994, em que o vampiro Louis, interpretado por Brad Pitt, revela a história de seus 200 anos de vida como monstro para um jornalista mortal. Assim como o longa "O homem bicentenário", esse filme despertou-me a seguinte reflexão: como deve ser viver para sempre?
Todo mundo já ouviu de alguém mais velho que se deve aproveitar ao máximo a vida, pois ela é muito curta. Talvez esse seja o conselho mais pregado e mais bem aceito de todos. Geralmente ouvimos isso daquela tia coroa e casada há anos, que não usufruiu muito de sua juventude; ou então daquele vovô, hoje adoecido e impotente, mas que nos seus saudosos anos de disposição abraçou o mundo.
Entretanto, no caso da imortalidade, esse conselho obviamente deixaria de fazer sentido. Imagine se você descobrisse que de hoje em diante, por algum motivo, você tenha se tornado imortal. O que você faria? Talvez você fosse achar maravilhoso. Ora, você estaria imune à mo…

Sintomas de um homem desapegado

Há três anos atrás, eu escrevi o "Sintomas de um homem apaixonado", baseado nas minhas experiências de rapaz gamado. Hoje, eu tenho uma relação de vergonha e orgulho com esse texto. Vergonha porque hoje eu não o escreveria novamente daquela forma; achei que ficou meloso demais. Orgulho porque é o meu texto mais relevante (ou menos anônimo) na internet, estando reproduzido em alguns blogs por aí, mesmo que sem os devidos créditos a mim. Mas não me importo, pois sei que estou sujeito a isso.
Para vocês terem uma ideia, de todos os acessos diários que recebo aqui - que não são muitos, visto que estou longe de ser famoso na internet - bem mais da metade são para o link do "Sintomas". Creio que o motivo seja porque, sem querer, eu usei palavras-chaves fortes no título. Sabem como é, essa coisa de paixão mexe com todo mundo, e pelo menos uma vez na vida não sabemos lidar com isso. E a que muitos de nós recorremos para buscar auxílio? À internet. Então, aquela mulher que n…

Sei lá, gosto de você!

Sabe quando você se sente atraído por alguém e não sabe bem explicar o porquê?
Quando a pessoa é muito bonita, a explicação é direta. Quando a pessoa é muito inteligente, a explicação também é direta. Generalizando, quando a pessoa é forte em uma qualidade muito valorizada entre nós, a explicação para a atração que sentimos está justamente nessa qualidade. Mas e quando a pessoa é, digamos, mediana em tudo: não é tão bonita, não é tão inteligente, não é tão simpática, etc? Por que ocorre a atração?
Bom, antes de mais nada, quero aqui ampliar o conceito de atração. Quando falamos em atração, pensamos logo na atração "para namoro". Mas neste texto não. Portanto, não estou somente me referindo à atração romântica, sexual; mas sim também àquela atração do tipo "poxa, quero ser amigo(a) do(a) fulano(a)", ou seja, a atração "para amizade".
A atração que sentimos pelas pessoas pode definir nossas amizades e amores.
Eu defino a atração geral da seguinte forma: vontade…

Já se foi 1/3...

Ontem no Twitter eu iniciei uma discussão após constatar uma coisa que me deixou um pouco preocupado: eu já vivi aproximadamente 1/3 da minha vida.
Tenho 24 anos. Ao multiplicar minha idade por 3, obtenho 72. Ao multiplicar por 4, obtenho 96, que é uma idade avançada demais para a nossa expectativa de vida média atual, mesmo que ela esteja aumentando. Levando também em consideração meu histórico familiar - em que meu avô materno morreu antes dos 60, meu avô paterno sofreu de câncer de próstata, AVCs e morreu antes dos 80 - acho que não me cabe ser tão otimista e achar que chegarei aos 96 anos. Portanto, acho que 1/3 é uma boa (e triste) aproximação, melhor do que 1/4.
Bom, o que fiz nesse 1/3 de vida? Sinceramente, acho que muito pouco. Fui basicamente um estudante, me preparando para a vida; para mais (apenas?) 2/3 de vida. O chato é que dizem que daqui para frente será só ladeira abaixo; que os melhores anos são estes que vivo agora. Ora, então os melhores anos da minha vida são os de…

A estagiária

Marcela tinha apenas 22 anos, mas era muito mais mulher do que qualquer outra com o dobro de sua idade. Não que fosse maliciosa; na realidade, Marcela carregava consigo a doçura de uma menina, mas era decidida como uma senhora. Traçava planos de curto, médio ou longo prazo e os cumpria com a mesma facilidade com que se banhava. Além disso, era linda. Pele branca, lábios carnudos e vermelhos, cabelos longos e levemente ondulados, olhar vivo, aberto e cobiçoso.

Certo dia, Marcela viu na internet o anúncio de uma vaga de estágio na empresa que tanto desejava trabalhar, e melhor ainda, na sua área. Não pensou duas vezes antes de comunicar o interesse pela vaga e marcar o dia da entrevista com um dos gestores.

- Sente-se, Marcela, por favor.
- Obrigada.
- Pois bem... você está cursando o sétimo período de economia, certo?
- Sim, Sr. Rodrigo.
- Ora, deixa disso. Senhor está no céu. Além de eu achar um tratamento muito antiquado, não sou muito mais velho do que você. Me chame apenas de Rodrigo - …