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Mostrando postagens de Junho, 2020

Piracema

Quando fui a Bonito (MS) com o meu amigo Samuel, eu não imaginava que, dentre as atividades que faríamos, a de que eu mais fosse gostar seria a experiência de flutuar no Rio Sucuri. Talvez eu apostasse no roteiro de trilhas ou na famosa visita à Gruta do Lago Azul, cartão postal do Mato Grosso do Sul. São todos passeios incríveis, pois Bonito oferece uma natureza tão espetacular e exótica que chega a parecer irreal para cidadãos residentes em cidade grande. É como se tudo aquilo fosse de mentira; uma realidade virtual. Mas foi no Rio Sucuri que eu me vi mais cercado de poesia.
(Evitei de perguntar o porquê do nome do rio, temendo a resposta. É provável que o guia turístico tenha explicado e eu não tenha prestado atenção. Algumas vezes a gente apenas respira fundo e entrega a Deus.)
Bonito não decepciona. Tampouco o Rio Sucuri. Suas águas cristalinas são as águas de rio mais lindas que vi até hoje. Elas deixam que o fundo do rio exponha toda a sua beleza para o visitante que, sempre admi…

O espirro nos tempos do corona

Fila do supermercado. Minha cesta de compras continha biscoitos, chocolates e refrigerantes  ̶̶  pouco adequada a um adulto que já cruzou os trinta, mas que me fez feliz. As pessoas aguardavam, cada uma, sobre uma fita adesiva que marcava o lugar no chão e que, juntas, garantiam a distância de pelo menos 1 metro e meio entre elas. Eu era o segundo da fila, sem considerar a cliente que já estava terminando de passar as compras no caixa.
Na minha frente, em primeiro, estava uma senhorinha magra, curvada, de cabelos curtos e totalmente brancos, integrante de longa data do grupo de risco da covid-19. (Não entendi por que ela não estava na fila preferencial.) Todos de máscara, sem exceção: do pessoal da limpeza aos operadores de caixa, da criança ao idoso. Não percebi São Paulo adormecendo tanto assim durante esses meses de quarentena, mas a máscara todo mundo aprendeu a usar. Por decreto.
Todos menos eu, admito. Todas as minhas máscaras vão caindo enquanto eu falo. Duas frases e já vai apar…

Balões

Não teremos festas juninas esse ano devido à pandemia. Começo esse texto logo com essa constatação desagradável; ao menos para mim, pois desde criança as festas juninas são as minhas preferidas entre as festividades anuais. Por vários motivos. O frio (mesmo que sutil) que o sudeste brasileiro permite nessa época do ano e que a gente tenta aliviar com uma fogueira aconchegante. As comidas típicas, que para mim são melhores até mesmo do que os quitutes natalinos. A fantasia caipira, a quadrilha e as músicas. Como é gostoso ouvir, cantar e deixar-se envolver por “Pagode Russo” de Luiz Gonzaga, entre tantas outras canções tão representativas.
Existe algo nas festas juninas que as diferem de todas as outras tradicionais. Ao mesmo tempo que é um evento para todas as idades, ela traz consigo um certo clima de sensualidade. Diferente do Natal, que é estritamente familiar, santificado e que portanto não promove (ou não deveria promover) condições para que você e sua prima se agarrem depois da c…