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Mostrando postagens de Julho, 2020

A procissão

Confesso que eu tinha grandes expectativas sexuais para aquele fim de tarde de sábado, embora o bom senso recomende não alimentá-las. Da janela do apartamento, eu podia ver uma São Paulo amarela do sol de outono. As janelas de outros prédios refletiam a luz solar em brilhos que excitavam a minha mente repleta de “más” intenções para as horas seguintes.
Um banho morno e demorado foi sucedido por um ritual caprichado de escolhas e autoprodução em frente ao espelho. A barba que ameaçava espetar foi vencida pelo aparador elétrico. O pouco de cabelo que ainda me resta da alopécia foi cuidadosamente posto em ordem por um gel fixador. Teve até espaço para um creme de rosto hidratante-multivitamínico-protetor-solar-pós-barba, que mais completo do que isso, só se fizesse o meu café—ou me devolvesse os fios de cabelos perdidos. Se eu fosse mulher, aquela certamente seria a hora do pôr um batonzinho; vermelho, talvez. Acho que eu seria dessas que usa batom vermelho de v…