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Mostrando postagens de Setembro, 2020

Caixa de papelão

Ontem à noite eu me vi diante de uma caixa de papelão, dessas que guardam o passado e se amontoam no cantinho das memórias. De trás dela saiu uma borboleta azul, que veio pousar em meu dedo. Revelou-se tão rapidamente que me pareceu enfurecida a princípio. Entretanto, frágil e inocente, a borboleta tinha numa das asas o desenho de um sorriso. Em seguida, abri a caixa e logo ouvi a melodia de um hit de verão que vinha lá do fundo. Todas as caixas de memórias são também caixas de músicas, e das boas.
O volume da canção aumentava à medida que se intensificava no ar a maresia carioca: quente, úmida, descompromissada e irremediavelmente passional. Foi quando um filete d'água espirrou da caixa, direto em meu olho. Ao tentar bloqueá-lo com a palma da mão, o filete se tornou mais espesso, transformou-se num jato forte e não demorou muito para que uma onda quebrasse sobre minha cabeça. Cambalhotas mil, encontrei-me estirado nas areias de Copacabana, e você  em cima de mim. Estáva…