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Pole dance

Mulher praticando o pole dance

Chego em casa após um dia exaustivo e ainda tenho que comer essa coisa requentada em vez de comida fresca!, foi o que Cida ouviu do marido naquela noite. Furiosa, resolveu na mesma hora meter as roupas na mala e deixar Chico, sem maiores cerimônias. Pois coma com o diabo!, saiu batendo a porta.

Cida foi abrigada por Kátia, sua amiga desde os tempos de colégio e agora dona de um bordel de luxo no centro da cidade. A cafetina instalou a dona de casa no melhor quarto e pediu às prostitutas que não a incomodassem. No entanto, a amizade com as meninas foi inevitável após Cida ter flagrado uma delas ensaiando num pole dance. Encantou-se imediatamente pela arte e resolveu, assim, treinar com as garotas, dia após dia. Ao passo que perdia a timidez, ganhava novo entendimento sobre o seu próprio corpo a cada encontro com a barra brilhante.

Num momento de capricho e autoconfiança, Cida pediu a Kátia para se apresentar na noite de luxúria. Era pouco mais de meia noite quando ela entrou no palco e mostrou todo o seu talento junto à barra, sendo desejada por homens hipnotizados. Não tinha certeza se aquilo era certo, mas dançava por ela e para ela. Foi esposa por tantos anos que havia se esquecido de que também era mulher. Ficou tão absorta na dança que não reparou que seu ex-marido fazia parte da plateia naquela noite. Entre aplausos e assobios, Cida terminou com algumas notas de reais—e até dólares—na meia calça, os quais distribuiu animadamente entre as meninas de Kátia. Porém, ficou perplexa quando deu de cara com o abatido Chico, que desejava falar com ela.

Alguns meses se passaram e aqueles dois pareciam estar novamente em lua de mel. Cida continuou frequentando o cabaré de Kátia para dar aulas de pole dance para as novas meninas. Chico instalou uma barra no quarto do casal a fim de se divertir com performances exclusivas. A condição era a de que cumprisse uma lista de exigências determinadas por ela. Dançar dá muita fome!, disse Cida enquanto era servida por Chico; prato na mão. Um banquete saído do forno, feito pelo apaixonado marido.

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