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Mostrando postagens de Maio, 2021

Claustrofobia

Aconteceu comigo na volta de uma viagem de férias em 2017. Eu nunca havia tido problemas dentro de um avião até aquele dia, naquele voo noturno. A primeira metade da viagem correu tão bem que eu dormi durante boa parte dela. Eu estava sentado na janela, em paz, cochilando entre uma leitura e outra para passar o tempo. Porém, minha tranquilidade terminou no momento em que eu acordei e logo embarquei numa sequência de sensações negativas. Começou quando eu olhei para o lado e tive a impressão de que o casal que ocupava os assentos do meio e do corredor pareciam estar ainda mais próximos fisicamente de mim, como se eles invadissem o meu espaço. Em seguida, olhei para o assento da frente e entendi como um incômodo insuportável o fato de eu não poder esticar bem as pernas por causa dele. A janela arredondada do avião, de repente, me pareceu menor do que é; a grossa camada de vidro entre o interior da aeronave e o céu me fizeram entender

Pipoca

Eu me lembro de uma menina da minha cidade com quem eu estava saindo quando eu tinha uns vinte anos. Vou chamá-la de Kelly. Certa vez, convidei Kelly para ir ao cinema. Aquela já era a terceira ou quarta vez que saíamos juntos e, embora mostrássemos disposição para nos vermos, os nossos encontros não estavam sendo empolgantes; acredito que tanto para mim quanto para ela. A gente tinha em mente que o outro valia a pena, no sentido de que éramos duas pessoas disponíveis e bem intencionadas, mas isso foi se mostrando como o único (e insuficiente) elemento motivador. Chegando ao cinema, compramos os ingressos e pedimos pipoca. O atendente pediu para esperarmos ele estourar mais. Enquanto o milho cozinhava, Kelly me dizia que adorava o barulho da pipoca estourando; que provocava nela uma sensação de pureza e alegria. Sorri e concordei. E ainda completei dizendo que o cheiro também contribuía para a atmosfer