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Encontros


Não existe amor à primeira vista. O que existe é conexão no primeiro encontro: são olhares e sorrisos em sincronia, beijos avassaladores, encaixe perfeito de corpos e boas ideias que batem. Em outras palavras, um pequeno pedaço do paraíso que desce angelicalmente sobre você.

Mas não se iluda, isso não é amor. É entretenimento a dois, distração e fantasia compartilhada. Não que essas coisas não sejam sinceras; elas também são. Um simples encontro também é cheio de verdades, mesmo que ele seja casual. Aliás, é difícil pensar em algo mais genuíno do que os nossos desejos; todos eles, dos mais nobres aos mais carnais.

Além disso, acredito que poucas pessoas sejam tão teatrais ao ponto de conseguirem simular com desenvoltura um entrosamento que não existe com alguém. Logo, aquilo que foi bom numa noite calorosa também é legítimo, ainda que tudo tenha se dissolvido à luz do sol na manhã seguinte. Como no célebre soneto de Vinicius de Moraes, no “que seja infinito enquanto dure", pode ser que o infinito dure somente algumas horas e, ainda assim, tornar-se de fato eterno no decorrer delas.

Bons encontros acabam porque a permanência custaria muito caro; amar custa caro e as pessoas já possuem muitos boletos para pagar. Amar custa, e assusta. É lindo, mas não é conveniente a todos em todos os momentos. Recorre-se então a esses encontros efêmeros, enlatados, que conseguem resolver grande parte das necessidades.

“Grande parte”, eu enfatizo, já que aquilo que faltou, o restante que não veio, essa outra parte não mencionada, pode ser que ela fique evidente junto ao cheiro impregnado no travesseiro e na pele. Pode ser que ela fique exposta na borra do café feito em dobro naquela manhã. Pode ser que tudo fique na memória, olhares e sorrisos, insistentemente. Pois não dá para negar que, de vez em quando, com algumas pessoas, o infinito de Vinicius no coração da gente adoraria se tornar algo bem maior.

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