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Mostrando postagens de Novembro, 2021

Amor e palavrão

Malvina era uma mulher que todos os dias passava na minha calçada, quando eu era pequeno. De meia idade, sempre embriagada e vestindo um shortinho jeans curto com o botão da frente aberto, Malvina gostava de mandar beijos desbocados para os conhecidos que encontrava pelo caminho: “Te amo, porra!”, dizia para um; “Amo você, caralho!” gritava para outro, com sua voz arranhada de cigarro e cachaça, logo após estalar o beijo na palma da mão e dar tchauzinho de longe. Perdi as contas de quantas vezes Malvina se declarou para mim. Tímido, eu morria de medo daquela mulher, mesmo sabendo que ela jamais pudesse me fazer mal. Tempos depois, correram boatos no bairro de que Malvina havia morrido por ingestão de veneno de rato. De fato, ela nunca mais foi vista. Eu nunca soube se o ocorrido foi acidente, cilada ou vontade própria. Em todo o caso, deu pena. Embora pensasse que as declarações de amor de Malvina fossem muito mais orientadas por insanidade do que por sentiment

Entre o último afeto e o sumiço

  Dia desses, meu amigo Jonas (nome fictício) me contou que conheceu um rapaz numa festa. Encantou-se por Lucas imediatamente, conquistou o moço e os dois ficaram juntos pelo resto da noite; “casaram-se na balada”, como se diz por aí. Marcaram de sair para jantar no dia seguinte. Meu amigo, sempre muito elegante ao vestir-se e portar-se, adorou o jeito largado daquele rapaz, meio bobo, um pouco atrapalhado e que “usava um óculos nada a ver, mas que nele ficavam bem”, palavras do próprio Jonas. “O conjunto todo, a beleza do boy, ele sendo desajeitado, aquilo foi tudo pra mim”, completou o meu amigo. Durante o jantar, Jonas ouviu de Lucas vários detalhes sobre sua vida; coisas de família, histórias íntimas até. A conexão e o desejo entre os dois começaram a manifestar-se ali através de carinhos nas mãos, sobre a mesa, como se já fossem dois namorados comemorando bodas. Um motivo de força maior impediu que eles atendessem às suas vontades sexuais naquela noite, mas, pelo meno